3 de julho de 2011

Ano Mundial da Medicina Veterinária, pelo pres. da Fenamev

Mensagem dos Sindicatos levada pelo presidente da Federação Nacional dos Médicos Veterinários, a Câmara Federal, no dia 21 de junho de 2011, na Sessão Solene alusiva ao Ano Mundial da Medicina Veterinária.

A minha saudação ao Deputado Wellington Antônio Fagundes do PR – MT autor do requerimento e Presidente desta Sessão Solene em homenagem da Câmara Federal ao ano Mundial da Medicina Veterinária, a minha saudação ao presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária com relevantes serviços prestados a categoria profissional Josélio de Andrade Moura, a minha saudação, ao Deputado Federal – Onix Dornelles Lorenzoni, do Democratas, com origem nas viridentes campinas do sul, ex-presidente do Sindicato de médicos Veterinários no Estado do Rio Grande do Sul, sócio fundador e membro da primeira diretoria da Federação Nacional dos Médicos Veterinários, Deputados Federais, diretores de entidades da categoria profissional, convidados, Médicas e Médicos Veterinários.

Por oportuno, quero render minha homenagem a esta Casa, a Câmara Federal, um dos pilares de sustentação da democracia, democracia esta que permitiu que hoje, com liberdade de expressão eu possa divulgar a nação a mensagem da Federação Nacional dos Médicos Veterinários, na cerimônia alusiva ao dia Mundial da Medicina Veterinária.

Um breve histórico de providências que alavancaram a agropecuária nacional: Permitam-me citar duas atitudes de governo tomadas no passado e que se revelaram fundamentais para alcançarmos o atual estágio de importantes produtores de alimentos, de reconhecidos e respeitados internacionalmente pela pujança de nossa agropecuária. O primeiro passo, a firme decisão, a vontade política de remover o principal argumento internacional contra a exportação de nossos excedentes de carnes, a Sanidade Animal, em particular a exigência de controle e erradicação da Febre Aftosa. Este passo decisivo foi dado há mais de 40 anos, pelo governo federal e acompanhado por alguns governos estaduais e, hoje ainda não alcançando a totalidade dos nossos estados. Tudo, com apoio nos conhecimentos científicos da Medicina Veterinária e sob o comando destes profissionais. Do esforço participaram ativamente os Médicos Veterinários, os pecuaristas, a agroindústria, os laboratórios na produção de vacinas, a indústria química na produção de biocidas, mais tarde com o envolvimento de toda a sociedade atraída ao programa pela Educação Sanitária. Apoiados na estrutura existente os programas abrangeram o controle de outras doenças animais, a Peste Suína, tanto a Clássica quanto a Africana, doença de Aujeski em suínos, a raiva canina e a raiva desmodina, a doença de New Castle das aves. Aproveitando a mesma estrutura, podemos avançar no controle de outras doenças animais e de interesse a saúde pública que estão a exigir programas de controle, e erradicação, como a tuberculose e a brucelose bovina. E, ainda, é urgente promover ações políticas, do Governo Federal para remover na OIE – Organização Internacional de Epizootias a restrição que classifica o Brasil com a ocorrência da BSE – Encefalopatia Espongiforme Bovina – a conhecida doença da vaca louca, nunca registramos um só caso no Brasil. Logo, na OIE não podemos sofrer as restrições e a mesma classificação de países que registraram milhares de casos desta doença.

O segundo passo foi dado no inicio dos anos oitenta, muito criticado a época, ditado mais por necessidade, pelas circunstâncias, pelos altos custos e a carência de recursos do tesouro nacional, trata-se da Retirada do Subsídio à produção Agropecuária. Que mais tarde, concluiu-se prestou um grande serviço aos produtores rurais. Despertou neles o empreendedorismo, alforriados do paternalismo público, mudaram completamente a imagem do setor, aprenderam a caminhar com as próprias pernas e no cenário internacional, conquistamos o respeito pela crescente produção agropecuária, competitiva sem subsídios governamentais. Por oportuno e, é bom frisar, os países europeus, asiáticos e mesmo os Estados Unidos, em negociação pura e simples, não abrirão mão dos subsídios à produção de alimentos. Não só pela condição de concorrentes do Brasil no mercado internacional, mas, por não terem condições de manter a produção interna sem os subsídios, sem o que ficam dependentes de importações e vulneráveis em caso de guerra ou grave crise internacional.

Não é por acaso que hoje conquistamos o titulo de maior exportador de carnes do planeta e temos potenciais ainda inexplorados para fazermos do Brasil o celeiro do mundo na produção de alimentos, para isto, atitudes corajosas a exemplo das citadas anteriormente precisam ser tomadas pelos governos, a urgente redução na carga tributária incidente sobre a produção e sobre os insumos a agropecuária, a implantação de um sistema de seguro realista que de tranquilidade e garantia de preços mínimos ao produtor, apurar a eficiência do sistema operacional de Rastreabilidade Animal – SISBOV – o investimento em Melhoramento Genético Animal, a incorporação de novas tecnologias geradas pela pesquisa, melhorar taxa de abate, a produtividade animal, a tipificação e avaliação de carcaças, de uma maior presença dos governos em programas de sanidade animal e na inspeção industrial e sanitária dos produtos de origem animal, zoneamento à produção agropecuária, a fixação do homem ao campo com a geração de novos postos de trabalho.

Sabedoria é aprender com o que acontece em volta, para não cometer o mesmo erro. Os nossos vizinhos argentinos que tem no pampa úmido as melhores terras do planeta para a produção de alimentos, só comparáveis com as do vale dos rios Missouri e Mississipi nos Estados Unidos amargam a perda de titularidade de grande parte destas terras para grupos de investidores estrangeiros, resultado, o dólar obtido com as exportações nem sempre entra e pertence ao país, fica nas mãos e na sede dos grupos estrangeiros. No sul do Brasil, as melhores terras estão distribuídas em parte do Estado de São Paulo, do Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do sul. Não por acaso, estes estados se destacam pela elevada produção de alimentos. Desenvolvemos tecnologia própria, com isto, país adentrou e incorporou o cerrado na produção agropecuária, com algum investimento em correção de solo transformou-o em áreas altamente competitiva na produção animal e vegetal. A exportação de produtos com origem no campo gera dólares líquidos e integralmente a disposição do país por ser capital nacional. Este mesmo dólar é que gera empregos no campo e na cidade, sendo exclusivamente nacional é o que sustenta e do equilíbrio a balança comercial da nação. Mas, é exatamente isto que gera o interesse de grupos internacionais, à semelhança do que aconteceu em outros países e já vem ocorrendo no Brasil, grupos internacionais estão investindo em terras e agroindústrias brasileiras, de olho na exportação e nos dólares gerados aqui, e serão levados para com certeza remunerar (alimentar) o capital internacional. Conhecidos são os casos de assédio por investidores estrangeiros no comércio da soja e nas usinas de álcool. O acúmulo de reservas cambiais, em grande parte se deve as exportações de nossa produtiva agropecuária, com destaque para as carnes, com a contribuição, também, dos Médicos Veterinários integrantes da cadeia produtiva.

A monocultura quer do vegetal, como do animal também é causa do desequilíbrio ao meio ambiente, a cultura da cana de açúcar de, hoje, ocupa boa parte dos Estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, ao contrário do sustentado por autoridades do governo passado, as melhores terras destes estados produzem cana de açúcar para ser transformada em álcool combustível em detrimento da produção rotativa de espécies vegetais e sem espaços de terra reservados a produção animal. E, aqui o Médico Veterinário mais uma vez pode contribuir com conhecimento científico e tecnológico na produção pecuária, no equilíbrio animal vegetal, na preservação da fauna. O país necessita de um plano de Zoneamento para a produção agropecuária que leve em consideração a sustentabilidade do meio ambiente. O consumidor e os países importadores a cada dia ficam mais exigentes, com a segurança alimentar, nos cuidados com o meio ambiente, com as políticas sociais para os trabalhadores rurais. Nós Médicos Veterinários devemos estar atentos à dinâmica do mundo consumidor, para acompanhar o desenvolvimento e participar com o devido cuidado da produção sustentável e com o meio ambiente, sempre tendo em mente e todo carinho com bem estar animal.

Saúde Pública: como da maior importância fazemos o registro dos serviços prestados pela Medicina Veterinária a Saúde Pública, especialmente na profilaxia, evitando que o homem adoeça a partir de animais portadores e transmissores das enfermidades. Devido aos altos custos do tratamento dos animais, a Medicina Veterinária é uma profissão de atuação essencialmente preventiva, através de da aplicação de vacinas, de cuidados higiênicos sanitários. Atuamos com propriedade e segurança na inspeção higiênico sanitária dos produtos de origem animal, lácteos, embutidos, reduzimos a possibilidade de contaminação dos seres humanos, na profilaxia de doenças, tais como a cisticercose bovina ou suína, tuberculose, brucelose, raiva, toxoplasmose, hídatidose, dirofilariose, as bacterioses, botulismo, leishmaniose. A Medicina Veterinária é reconhecida pela ONU/OMS, como uma das profissões de atuação em saúde pública, como tal, no Brasil encontra-se preparada para ser inserida em equipes multidisciplinares contribuir e na prevenção de doenças transmissíveis dos animais ao homem, as zoonoses. Por derradeiro, muito fizemos, muito temos a contribuir para o crescimento da pecuária, da produção animal, e da saúde pública, da economia, dos produtores pecuaristas, dos governos. E, implantar a democracia em uma entidade de classe, no Conselho Federal de Medicina Veterinária, com eleições diretas. Mas e acima de tudo, temos muito por agradecer, por tudo e pela oportunidade de participar desta cerimônia em homenagem ao dia Mundial da Medicina Veterinária. Muito obrigado. Médico Veterinário José Alberto Rossi – Presidente da Federação Nacional dos Médicos Veterinários.

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