9 de março de 2010

A pandemia do mal, por Dorvalino Furtado Filho

As infecções respiratórias ocupam o primeiro posto entre as doenças que afligem as populações dos países de baixa renda, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Há tempos que a OMS critica a ausência de uma resposta suficiente face ao impacto crescente das epidemias. Hoje, mais de 14 milhões de pessoas/ano são vítimas de doenças infecciosas e mais de 4 milhões sucumbem por estas infecções respiratórias. Só a febre da dengue afeta mais de 9 milhões de pessoas anualmente. Países industrializados, hoje, já são complacentes frente a estas epidemias, alegando recursos insuficientes.

No relatório da Federação Internacional Cruz Vermelha (FICV), as populações dos países em desenvolvimento são particularmente vulneráveis às consequências de epidemias devido a estruturas inadaptadas de cuidados de saúde. O Brasil está incluído. A face milionária da gripe, artigo de Maria Luísa Vasconcelos, professora da Universidade Fernando Pessoa, em Portugal, diz que “no meu correio, repousam algumas reações enérgicas ao post “Economia da Gripe”. Transcrevo uma, parcialmente: “Pandemia? (…) Primeiro foi a síndrome respiratória, depois o H5N1, depois a dos suínos (pelo meio do caminho tivemos o caso do antraz, sendo que tudo o que circulou teve origem em laboratórios militares), agora passamos a ter a H1N1? Vocês não acham que é um risco acreditar nos laboratórios?”.

O diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica, Eduardo Hage, afirmou que a letalidade da gripe A é semelhante à da gripe comum. Hoje, os trabalhos de combate à gripe A e à gripe comum estão custando muito caro – para a sociedade – e poderiam ter custos mais baixos se os esforços tivessem sido despendidos na prevenção, há muitos anos. Mas ninguém se preocupa, mesmo porque é o povo quem sempre paga.

Dorvalino Furtado Filho, médico veterinário

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